sábado, 6 de junho de 2026

Âncora

 

Ohhhh âncora dos tempos


Tristeza, a ferrugem de uma alma»
Presa na dor de um passado
nada mais traz
Sem ser o passado
Rasga-me como tecido seco ao Sol
ao vento e intemperes
Ressecada pela Natureza
Que me devolve as forças dela mesma


Seguro de um nada que seja
Que em tempos me cortou a carne
O sentido
Estar presente no momento
… hoje dou conta!
Dos momentos em que devia estar
Deixar-me sentir, envolver e fluir
O como bandeira seca ao fluir do vento
Fui levado ou fiquei fixo
A uma ponta de aço no fundo dos mares
Num fundo rochoso

A dor corta-me
Num silêncio que a Alma carrega
E me rasga de cima abaixo
Como papiro
No meio da confusão
De um dia a dia cheio
A âncora está lá
Firme!
Nada a demove a não ser
A minha breve distração



Rui Santos
28/03/26