quinta-feira, 11 de junho de 2026

Vento

 

Na minha armadura celestial 
Subo para o teu dorso  
Bem firme na tua crina 
Saimos velozes a cavalgar  
A Rosa dos ventos 
Com o destino  
Que o Pai todo-poderoso nos dá 
Sobre montes e vales, planícies   
Pintalgadas pelo roxo das estevas 
Vermelho de papoilas 
Onde se dobram as searas  
Com as tuas forças  
Carrregas aromas e odores  
Trazes contigo  
Milénios de história  
Que todos os nossos ancestrais  
Inspiravam  
Forjado por um astro Rei 
Que te torna a força 
De um Pai todo poderoso 
 
Quando me isolo  
Me quero manter em silêncio 
Tu bafejas-me os ouvidos  
De forma ruidosa  
Marcar-me com a tua presença  
Desligo por instantes  
E fico a ouvir-te ruidoso 
Saber que tocas a todos  
Que Amo, amei e por eles lutarei 
Dás-me animo  
Saber que levas as minhas preces  
De agradecimento  
A todos que me rodeiam  
Forma singela de deixar  
Que por mim fluas  
E que nas tuas formas  
Carregues os meus agradecimentos  
E desejos 
 
 
Rui santos 
06/06/26
 



sábado, 6 de junho de 2026

Âncora

 

Ohhhh âncora dos tempos


Tristeza, a ferrugem de uma alma»
Presa na dor de um passado
nada mais traz
Sem ser o passado
Rasga-me como tecido seco ao Sol
ao vento e intemperes
Ressecada pela Natureza
Que me devolve as forças dela mesma


Seguro de um nada que seja
Que em tempos me cortou a carne
O sentido
Estar presente no momento
… hoje dou conta!
Dos momentos em que devia estar
Deixar-me sentir, envolver e fluir
O como bandeira seca ao fluir do vento
Fui levado ou fiquei fixo
A uma ponta de aço no fundo dos mares
Num fundo rochoso

A dor corta-me
Num silêncio que a Alma carrega
E me rasga de cima abaixo
Como papiro
No meio da confusão
De um dia a dia cheio
A âncora está lá
Firme!
Nada a demove a não ser
A minha breve distração



Rui Santos
28/03/26



terça-feira, 21 de outubro de 2025

Vida


Vida, um lago azul translucido
De suave turquesa pintado
Corais coloridos que adornam seu leito
Brisas suaves sopram
Na direção que a Mãe natureza cria
Velejam pequeninos barcos
Alguns com leme!
Outros apenas derivam.
Confiantes na Mãe
Barquinhos frágeis
Afundam nesta turquesa translucida
Devolvendo à Mãe os seus filhos
Naufrágios que a Vida nos dá
Sopros mais fortes
Que o Criador nos entrega.
Desafios!
Mesmo à deriva, os firmes seguem
Com a esperança desenhada
No peito, a fé
Que um dia a brisa nos dirija
Ao ancoradouro
Que pequenas sementes se libertem
Floresçam para embelezar as margens
Que a vida tem

Rui Santos
21/10/25



 



quinta-feira, 12 de dezembro de 2024

Semente

 

Quem me dera erguer-me 
Acima de mim mesmo 
Deixar estas raízes da dualidade 
Onde a dor, a agonia, a tristeza 
Todos os sentimentos obscuros,  
caminham de mão dada  
Com os sentimentos opostos 

Quem me dera 
Saber lidar com essas raízes  
em mim fundadas 
Onde o meu ego, não vive 
apenas sobrevive 
 
Quem me dera 
Ouvir a semente que o Criador 
em mim depositou 
A alma que por aqui vagueia  
Sem a certeza do rumo 
Do propósito, antes combinado 
 
Quem me dera 
Livrar-me das raízes que alimentam   
um menino doente 
Que pelas ruas se arrastava  
E nas horas escuras  
Não ouvia a sua semente 
Num choro abafado  
Desejava a morte  
Um reencontro com ancestrais  

Quem me dera 
Puder seguir as suas vozes 
Gritar alto, que esse menino  
Rasgou os laços que  
O seguravam na amargura  
O menino que agora se recusa morrer 
Que se alimenta de sonhos 
Sem mesmo saber o seu rumo 

Quem me dera 
Ter asas de colibri 
Alimentar-me de coloridas flores 
E finalmente gritar aos ancestrais   
Que estou livre desta  
Dualidade 
 
Rui Santos  
11/12/24